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A princípio pode-se imaginar que as danças representativas da cultura brasileira são aquelas nascidas, ou com origem, no solo e costumes do povo do Brasil; e por isso, a dança flamenca é confundida com dança “espanhola”.

Esses conceitos e pré-conceitos limitam o desenvolvimento da arte expressiva e da pesquisa quanto à alma humana. Existem vários brasileiros que há mais de 40 anos vêm se dedicando ao difícil estudo da arte flamenca, e, hoje, nossos melhores músicos estão sendo incorporados a importantes casas noturnas e grupos de dança flamenca da Espanha, mais precisamente Madrid, capital da modernização dessa arte.

O requinte da harmonia e rítmica da música brasileira têm servido de inspiração e expansão da linguagem musical chamada FLAMENCO!

No Brasil, o trabalho talentoso destes artistas não encontrou apoio, porque “fazer flamenco” nunca foi uma atitude compreendida e aceita fora dos limites da arte étnica, comparada a dança do ventre, ou dança indiana. Os empresários espanhóis, dando entrada no Brasil, não viram interesse em somar à sua imagem, justamente uma cultura que os afasta da brasilidade, assim como o Brasil nunca encontrou motivo para patrocinar uma arte que lhe parecia “estrangeira”.

Mas como poderia ser estrangeira se é desenvolvida por artistas brasileiros?

O FLAMENCO não é uma arte estrangeira e hoje é praticada e pesquisada nos principais países de desenvolvimento cultural como o Japão, França, EUA, Inglaterra, Alemanha, entre outros.

No Brasil ela aparece já nos anos 50 através de imigrantes espanhóis, e possui hoje mais de 4 gerações de artistas de origem brasileira.

Do ponto de vista musical, a bossa nova e o desenvolvimento harmônico e peculiaridade rítmica da música brasileira são hoje objeto de interesse entre os mais respeitados inovadores do FLAMENCO espanhol.

Na dança os desenvolvimentos são mais restritos tanto pela falta de apoio cultural para pesquisas como pela mentalidade que obriga a dança flamenca brasileira a restringir-se a copiar um “código” de movimentos ao invés de estimular o aprimoramento da essência flamenca, nos corpos brasileiros. Como já aconteceu em tantas outras modalidades de dança, até mesmo no balé clássico.

“ ... ao artista cabe revelar uma experiência singular de mundo e não uma apropriação parcial de códigos manipuláveis e reorganizáveis...” (Suely Rolnik)

Por vários motivos o artista brasileiro, tanto músico como ator/bailarino encontra identidade com o FLAMENCO como uma cultura musical extremamente associada à diversidade rítmica; a identidade cultural resultante da integração de várias culturas e etnias; o chamado “sangue quente” ou latinidade, caracterizando a expressividade; entre outras características.